O cenário é comum em famílias com filhos matriculados nos colégios de Curitiba: no meio do trimestre, os pais são convocados para uma reunião com a orientação pedagógica (SOE) ou com os professores. As frases costumam se repetir:
“Ele não para quieto na carteira durante as explicações.”
“Parece que está no mundo da lua quando precisa copiar do quadro.”
“No recreio, ele se descontrola, esbarra nos colegas ou explode diante de qualquer frustração.”
Imediatamente, um turbilhão de pensamentos invade a mente dos pais: “Será que meu filho tem TDAH? Será que ele precisa ser avaliado por um psiquiatra? Será que terei de dar medicação controlada para uma criança de apenas 6 ou 7 anos?”.
Antes de qualquer rotulagem diagnóstica precipitada, é fundamental dar um passo atrás e olhar para o que a ciência do desenvolvimento humano e a Psicomotricidade Relacional nos revelam com clareza há mais de 50 anos: a criança pequena não pensa e não sente de forma descolada do seu corpo.
1. O Tônus Muscular: Onde a Emoção se Faz Matéria
Muito antes de dominar a linguagem verbal para dizer “estou me sentindo pressionado pela exigência da escola” ou “estou inseguro com o nascimento do meu irmão”, a criança traduz seus conflitos através do tônus muscular — o estado permanente de tensão e relaxamento dos músculos.
Pioneiros como Henri Wallon, Julian de Ajuriaguerra e, mais tarde, os fundadores da Psicomotricidade Relacional (André Lapierre e Bernard Aucouturier), comprovaram que toda vivência emocional produz uma resposta tônica imediata:
- A Hipertonia Defensiva (Agitação Motora): Quando a criança se sente cobrada além do que suporta, seu tônus se eleva. Para não explodir internamente, ela precisa se movimentar: levanta, mexe os pés, bate o lápis, desafia a professora. O movimento excessivo é uma válvula de escape para uma sobrecarga que não coube nas palavras.
- A Hipotonia e o Desligamento (Desatenção): Outras crianças reagem retraindo sua energia corporal. Ficam com o olhar distante, lentas para copiar do quadro e com postura caída. Não se trata de preguiça, mas de um recolhimento tônico diante de um ambiente que ela sente como excessivamente estimulante ou intimidador.
2. O Dilema da Medicalização: Alívio do Sintoma vs. Tratamento da Causa
É crucial estabelecer uma posição ética e transparente: no SIEL, não somos contra intervenções medicamentosas quando estritamente indicadas por neuropediatras ou psiquiatras da infância após criteriosa avaliação clínica multidisciplinar. Em quadros neurobiológicos severos, o remédio cumpre um papel de estabilização.
Contudo, o que temos testemunhado em larga escala nos últimos anos é uma medicalização da infância saudável. Muitas crianças ativas, curiosas ou temporariamente estressadas estão sendo diagnosticadas e medicadas para atender à expectativa de silêncio e quietude de salas de aula que nem sempre respeitam o tempo motor da infância.
Um psicoestimulante sintético pode até forçar a criança a permanecer sentada e quieta, mas ele não ensina o aparelho psíquico dela a tolerar frustrações, a construir controle inibitório autêntico e a se relacionar com regras de forma voluntária. Se a causa da agitação for uma carência de vínculo, insegurança ou angústia reprimida, o sintoma silenciado pela química reaparecerá mais adiante sob forma de ansiedade, baixa autoestima ou retraimento social na adolescência.
3. Como o Setting Clínico do SIEL Atua na Raiz do Problema
No SIEL, coordenado pela Prof.ª Msc. Elisângela Gusi, o trabalho não consiste em tentar convencer a criança a se comportar por meio de broncas ou longas conversas sentadas numa cadeira (o que a criança já escuta na escola e em casa todos os dias).
Nós oferecemos um setting relacional estruturado onde a criança é acolhida na sua linguagem mais autêntica: o jogo espontâneo e a ação corporal.
Nenhuma criança no SIEL é colocada de imediato em uma turma coletiva. O início é individual para que a psicomotricista construa uma base inabalável de segurança e compreenda onde o corpo da criança trava ou transborda.
Com nossos tijolos em papelão resistente de padrão espanhol, a criança ergue torres, castelos e muralhas — projetando seus limites e desejos. Quando ela derruba essa torre, ela experimenta a agressividade simbólica: ela descarrega a tensão acumulada sem culpa e sem machucar ninguém, aprendendo que destruir e reconstruir faz parte da vida.
No momento oportuno, a criança passa a conviver com pequenos grupos selecionados por afinidade. Ali, no calor do jogo com o paraquedas lúdico, cordas e tecidos, ela treina a capacidade de esperar a sua vez, negociar regras e aceitar o "não" dos pares de forma espontânea.
4. Triangulação com os Colégios de Curitiba: O Elo que Transforma
O trabalho do SIEL não fica isolado entre quatro paredes. Nossa sede nas Mercês mantém diálogo ético e constante com orientadores pedagógicos e coordenadores dos colégios particulares da região (como Colégio Marista Paranaense, Colégios Positivo, Santo Anjo, Nossa Senhora das Mercês, Bom Jesus, Sion, Dom Bosco, Martinus e escolas bilíngues).
Com a autorização dos pais, alinhamos estratégias concretas para a sala de aula: onde a criança senta, como o professor faz a transição entre atividades e de que maneira os limites combinados no setting clínico são reforçados no pátio escolar. Esse alinhamento é o que garante que a evolução clínica se traduza em boletins melhores e em relações mais tranquilas na escola.
5. Checklist para os Pais: 5 Perguntas Antes de Rotular seu Filho
Se a escola do seu filho acendeu o sinal de alerta, faça a si mesmo estas cinco reflexões antes de procurar um diagnóstico definitivo:
Dê ao seu filho a chance de ser compreendido por inteiro.
No SIEL, cada criança é única. Sob a condução da Prof.ª Msc. Elisângela Gusi, oferecemos avaliação inicial individual e um plano de acolhimento sob medida para que seu filho recupere a segurança, o foco e a alegria de aprender.